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CORRIDA
“– Havia vários tipos de corridas. O mais tradicional é o stádion, que tinha o percurso de aproximadamente 190 m. Havia também o díaulos, aproximadamente 360 m, o híppios, 720 m, e o dólikhos, que variava entre 1.400 e 4.200 m. Além disso, havia também a corrida com armas e a corrida com tochas, semelhante à atual corrida de revezamento. Essa última não era  praticada em Olímpia, mas nos Jogos Panatenaicos, em Atenas. Em Olímpia, a modalidade de maior tradição era sem dúvida o stádion.
 
– Vemos que os corredores são retratados basicamente de duas formas: com as mãos estendidas uma para o alto e outra para baixo, quando o artista representa corridas de curta distância, e com os braços dobrados na altura da cintura, quando se trata de corridas de longa distância. Se observarmos os corredores de hoje em dia, veremos que os corredores têm um preparo e uma postura diferenciada dependendo do tipo de corrida que disputam: de longa ou curta distância.
 
Os gregos sabiam que cada modalidade esportiva requeria habilidade e preparo físico específicos e que a maneira de correr deveria variar de acordo com os diferentes tipos de corrida. Para as distâncias maiores, considerava-se que os corredores que tinham maiores chances de vencer eram os mais leves, sem muita massa muscular, porém resistentes. Para as distâncias mais curtas, os corredores deveriam ser robustos, com grande explosão muscular. Para a corrida com armas, o corredor deveria ter uma forte compleição para ser capaz de suportar o peso considerável do equipamento: escudo, elmo e grevas.
 
– É realmente notável o apuro com que são feitas as representações.
 
Elas retratam a vida e o pensamento por meio de composições e de detalhes incríveis – disse Cléia.
 
– Meninas, esta estatueta parece ter sido feita especialmente para vocês: representa  uma corredora – continuou Andréas. Embora as mulheres não participassem das competições nos Jogos Olímpicos, havia em Olímpia as festividades chamadas Heraias, em homenagem à deusa Hera. Nossa corredora traja uma túnica que deixa um dos seios desnudo. Ela corre segurando a túnica sobre as coxas para não atrapalhar seus movimentos. Isso parece comprovar o motivo pelo qual os homens aboliram as roupas ao correr, não? Observem outro detalhe: ela corre e olha para trás para ver quão distante está de sua concorrente mais próxima.
 
– Essas corridas femininas parecem atestar a importância da deusa Hera e de seu culto – disse Cléia, querendo saber de mais detalhes.
 
– Sim, é verdade – confirmou Andréas. – Irmã e esposa de Zeus, Hera reinava no Olimpo ao lado de seu marido. Era mãe de deuses importantes: Hefesto, deus da metalurgia; Ares, o terrível deus da guerra; Hebe, a deusa da juventude; e Ilitia, a deusa do parto. Hera, uma divindade celeste, tinha como símbolo o pavão, em cuja cauda, dizia-se, estava representado o céu.
 
Hera tinha muitos templos na Grécia e seu culto era bastante difundido. As Heraias ilustram a importância da deusa e são um testemunho da educação que recebiam as jovens espartanas, futuras mães de notáveis guerreiros.”

* Artigo foi extraido do livro Uma viagem à Grécia: os jogos olímpicos e os deuses, de Stylianos Tsirakis.

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