CURSOS

Filosofia
PLATÃO PENSADOR, POETA, POLÍTICO
Introdução à filosofia platônica em 12 encontros. Início 2 de setembro de 2014. Inscrições abertas!
De 02/09/2014 a 18/11/2014
Em doze encontros, o curso Platão – Pensador, Poeta, Político, pretende explorar essa obra multifacetada, e, através dela, penetrar o espírito do seu criador: desde o encontro decisivo com Sócrates e os passos incertos da juventude, passando pelas grandes epifanias da maturidade, até, finalmente, a sistematização de seu pensamento na última fase de sua vida.    

De 2 de setembro a 18 de novembro de 2014, com o professor Marcelo Consentino.
As aulas serão às terças -feiras, das 20h às 22h. 
Os interessados podem optar por participar do curso com um todo, ou por encontro.Programação abaixo.

INVESTIMENTO: R$ 70,00 por encontro ou R$ 600,00 0 curso.
Solicitações de bolsas - integral ou parcial - serão analisadas caso a caso.
 
Por que Platão?

 “A caracterização mais segura da tradição filosófica europeia é que ela consiste em uma série de notas de rodapé a Platão”. Essa conhecida generalização de Alfred North Whitehead pareceria menos temerária se viesse citada na íntegra. De fato, explica o filósofo britânico, “não falo do esquema sistemático que os estudiosos extraíram questionavelmente dos escritos de Platão. Eu me refiro à riqueza das ideias gerais que emergiram através deles. Seus dons pessoais, suas vastas oportunidades de experiência em um grande período da civilização, sua herança de uma tradição intelectual ainda não enrijecida por uma sistematização excessiva, fizeram de seu pensamento uma mina inesgotável de sugestões”. Dita assim, a tese é facilmente demonstrável.

Platão não só forjou alguns dos conceitos mais decisivos de nosso vocabulário intelectual, como “ideia” e “dialética” ou mesmo “filosofia” e “teologia”, mas fez de sua obra um inestimável recinto de encontro com os maiores pensadores da época: sem ela as figuras já fragmentárias dos chamados “pré-Socráticos” seriam praticamente irreconhecíveis para nós.

Sem Platão não teríamos conhecido o próprio Sócrates – ou melhor, não conheceríamos muito mais do que o moralista convencional das Memóriasde Xenofonte ou a caricatura das Nuvensde Aristófanes. Mais: sem Platão não teríamos Aristóteles, ao menos não como o conhecemos, pois é impossível prever como o seu gênio teria se desenvolvido se não tivesse sido treinado por 20 anos na Academia. Tampouco teríamos todas as escolas platônicas e neoplatônicas, e, consequentemente, nem tradições místicas como a dos gnósticos, dos cabalísticos ou dos herméticos, nem pensadores da envergadura de um Plutarco, um Plotino, e daí por diante, numa longa genealogia que passa pelos renascentistas italianos (Marsilio Ficino, Pico della Mirandola, Giordano Bruno) e pelos idealistas alemães (Hegel, Schelling, Schopenhauer) até chegar a tributários contemporâneos como Gottlob Frege, Edmund Husserl ou Kurt Gödel.

Mais ainda, e talvez mais decisivo do que tudo, sem Platão não teríamos o cristianismo. Ao menos não como o conhecemos, pois é certo que a pequena seita palestina teria se configurado de uma maneira completamente diversa se a síntese entre a cosmovisão helênica e a hebraica não tivesse sido preparada em obras como a do judeu platônico Fílon de Alexandria, e se não fosse a sistematização teológica dos grandes Padres da Igreja, como Gregório de Nissa, Máximo o Confessor ou João Crisóstomo, no Oriente, e Agostinho ou Boécio, no Ocidente, todos formados na tradição platônica.
Mas se a fórmula de Whitehead é disputável por seus excessos, também o é por suas faltas, já que a “mina inesgotável de sugestões” de Platão deu frutos não só na tradição filosófica, mas também na política e literária. Sua Repúblicaé a primeira tentativa conhecida de se elaborar uma “teoria total” do fenômeno político. Não por acaso foi criticada por muitos como o protótipo das utopias “totalitárias”, em geral pelos mesmos que veem nos proverbiais fracassos políticos de Platão uma espécie de compensação histórica. E, contudo, enquanto homem de ação, resta-lhe o mérito indisputável de ter organizado a corporação que serviria de modelo para todas as demais instituições dedicadas à educação e à produção intelectual de nível superior, as quais, por justa antonomásia, se intitulam até hoje “Academia”.

Como escritor Platão não só estabeleceu de uma vez por todas o gênero do diálogo filosófico, num drama polifônico que dá voz às ideologias mais expressivas de seu tempo, mas foi também o criador de uma galeria de símbolos da condição humana que estão entre os mais fecundos de todo imaginário ocidental, como a alegoria da caverna, a lenda da cidade perdida de Atlântida, ou os mitos do divino Eros e do grande Demiurgo cósmico.

PROGRAMAÇÃO

1. O MUNDO DE PLATÃO
. Creta, Micenas e a Grécia Arcaica.
. A Grécia clássica.
. A mentalidade helênica e a filosofia pré-socrática.
 
2. SÓCRATES : VIDA E OBRA
. A Apologia.
. Testemunhos: Xenofonte, Aristófanes, Aristóteles.
. A missão e legado de Sócrates.
           
3. AUTOBIOGRAFIA DE PLATÃO E DIÁLOGOS JUVENIS
. Autobiografia: as Cartas.
. A obra de Platão: os Diálogos.
. Diálogos menores e aporéticos: Eutífron; Críton; Crátilo; Alcibíades Menor e Maior; Hiparco; os Amantes; Teages; Cármides; Laques; Lísis; Eutidemo; Hípias Menor e Maior; Íon; Menexêno; Clitofon; Minos.
. Em busca da virtude: Protágoras e Górgias.
 
4. A ALMA
. Menon: o método.
. Fédon: filosofia como arte de morrer.
. Fédro: paixão e transformação.
 
5. O AMOR
. Banquete: filosofia como arte de viver.
. 5 discursos sobre o amor: Fédro, Pausânias, Erixímaco, Aristófanes, Agatón.
. O zênite do amor: Diotima-Sócrates.
. A degeneração do amor: Alcibíades. 
 
6. A REPÚBLICA I
. República: a visão do todo.
. Prólogo sobre a Justiça (Rep. Livro I).
. Gênese e desenvolvimento da Polis (Rep. Livros II a IV).
 
7. AREPÚBLICA II
. O governo dos filósofos e a Ideia do Bem (Rep. Livros V a VII).
. A degeneração social (Rep. Livro VIII e IX).
. A escatologia platônica (Rep. Livro X).
 
8. A ACADEMIA
. A obra tardia: novos desafios.
. Parmênides e Fílebo: a filosofia como arte de pensar.
 
9. DIÁLOGOS DIALÉTICOS E ACADÊMICOS
. Teeteto, Sofista, Político: a luta pela verdade.
 
9. O COSMOS
. Timeu eCrítias: a cosmogonia e o projeto de epopeia platônica.
 
11. O TESTAMENTO PLATÔNICO
. As Leis: a visão crepuscular de Platão.  
 
12. PLATONISMO(S)
. O mundo depois de Platão.
 
Marcelo Consentino é mestre em filosofia pela Universidade Santa Croce de Roma, com tese sobre Acondição humana em Platão, doutor em filosofia da religião pelo Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, editor da revista cultural Dicta & Contradictae consultor de cultura para o Grupo de Avaliação Editorial do jornal O Estado de São Paulo.
 

 
 

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