O Grupo de Estudo de Mitologia (GEM) da Areté convida para o estudo de “A Ilíada de Homero“, sob a coordenação de Stylianos Tsirakis e Flávio Lorza.
A Ilíada é um dos textos fundadores do pensamento helênico e o seu estudo permite penetrar tanto nos valores aristocráticos como no imaginário religioso e humanista do fecundo Período Arcaico e da Civilização Helênica.
Para facilitar o aproveitamento e reflexão desta magnífica obra, composta em 24 cantos em forma poética, o grupo recorrerá a um estudo introdutório do volume Ilíada, Guerra de Tróia, de Menelaos Stephanides. Na sequência, será realizado o estudo canto a canto da excelente tradução de Frederico Lourenço, comparando-a com outras traduções para a língua portuguesa.
Faça sua inscrição e receba o link para assistir ao primeiro encontro. Se interessando, posteriormente é só confirmar sua participação no grupo de estudos.
Gratuito e Online (via Zoom)
Às quintas-feiras, das 20h às 22h
Início: 19 de fevereiro de 2026
Duração: 16 encontros semanais
Vagas: 40
Inscreva-se: https://forms.gle/rMhPWkVcovW4LpPc6
Informações
Celular e Whatsapp: (11) 97113-0660
E-mail: secretaria@arete.org.br
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Stylianos Tsirakis — Formado em Arquitetura pela FAU-USP em 1982, fundou a Odysseus Editora em 1999 da qual é editor até os dias de hoje, publicando trabalhos nas áreas de Mitologia, Filosofia e Estudos Clássicos. Autor do livro Uma viagem à Grécia, Os Jogos Olímpicos e os deuses (2004); membro fundador da Areté, Centro de Estudos Helênicos. Há mais de 20 anos vem se dedicando aos estudos clássicos, coordenando grupos de estudo e palestras sobre mitologia helênica.
Flávio Lorza — Promotor de Justiça em São Paulo desde 1992, bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da USP, bacharel em Letras pela FFLCH da USP e licenciado em Letras pela Faculdade de Educação da USP. Focou o bacharelado em Letras nos estudos de Literatura Grega, Latina e de Países de Língua Portuguesa. Compõe os grupos de estudo de Mitologia e Literatura Grega da Areté desde 2017.
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A Ilíada de Homero narra, em forma poética, os episódios de um pouco mais que 50 dias do décimo ano da guerra e culmina com a morte de Heitor prenunciando o fim de Troia; a entrega do cadáver ao pai, Priamo, marca a humanização de Aquiles.
Sendo uma obra poética de extensão, 24 cantos, o leitor se sente frequentemente assolado pela profusão de nomes de heróis e menção a episódios que ele desconhece, criando dificuldades para a leitura e fruição dessa magnífica obra, marco da cultura grega e ocidental. Por outro lado, a narrativa de Homero se desdobra em dois planos, o divino e o humano. Para facilitar a intelecção e reflexão, faremos uma leitura preliminar do volume de Stephanides, Ilíada a Guerra de Troia, Odysseus Editora.
GEM, Grupo de estudo de mitologia. Um dos desafios dos Grupos de Estudo de Mitologia da Areté tem sido reunir especialistas e leigos em seus encontros; aproveitando o conhecimento prévio de uns e o deslumbrar de outros, as conversas, como trocas, convergem para os valores e formação humanista do pensamento mítico. Os encontros terão partes expositivas seguidas de conversa sobre os trechos dos textos previamente estipulados. Uma análise interpretativa dos mitos de heróis e deuses com foco antropológico, psicológico e cultural. Cada encontro prevê a discussão das passagens e interpretação de seus conteúdos mítico- simbólicos, históricos e filosóficos, com intuito de estimular a crítica interpretativa, contribuindo assim para a missão reflexiva e transformadora dos mitos.
Mitologia
O que os mitos gregos nos ensinam sobre a formação das Cidades-Estado gregas, a história, a organização social, divisão de poderes, ética, casamento e relações entre gêneros? Como os deuses influem em nossas personalidades e escolhas?
Platão no século IV a.C. nos lembra que Homero e Hesíodo foram os educadores dos gregos. O edifício da mitologia grega já se encontra erigido no Período Arcaico com numerosas obras que compunham o ciclo épico do qual somente algumas chegaram até nós: a Ilíada e Odisseia, creditadas a Homero e a Teogonia e Os trabalhos e os dias de Hesíodo. Das obras perdidas restaram fragmentos em citações e referencias em comentários posteriores. Séculos mais tarde, as tragédias atenienses do século V exploraram e desenvolveram temas e narrativas a partir desse imenso acervo cultural.
Aristóteles, na Poética, discorre sobre as diferenças entre mitologia (poética) e história e conclui que o propósito da história é revelar os fatos tais quais eles ocorreram e o da mitologia é relatar como esses eventos poderiam ter ocorrido; um pouco mais adiante afirma que a mitologia é, pelas suas características, mais filosófica. Os mitos remetem a acontecimentos e períodos históricos do passado, mas, analisando as etimologias dos nomes de inúmeras personagens, percebemos que as narrativas são construções literárias filosóficas que nos instruem sobre a natureza humana e revelam uma concepção trágica do Homem.
A respeito do mito e do fazer mítico-poético, a poiesis, também Hesíodo nos oferece pistas importantes; no seu proêmio na Teogonia, as musas alertam: “sabemos muitas mentiras dizer símeis aos fatos/ e sabemos, se queremos, dar a ouvir revelações” (vs 26 e 27 em Teogonia, trad. Jaa Torrano). Além de aspectos históricos, os mitos revelam a natureza humana em suas múltiplas dimensões e facetas, fundando assim a base de uma visão humanista.